sábado, 30 de janeiro de 2016

Linha de Hoje à Noite




 

Eu posso escrever agora a linha de hoje à noite.
Por exemplo, eles escrevem: "Noite de chuva antiga,
No  azul do céu, estrelas à distância. "


O vento da noite gira no céu, ela vai cantar.
Eu posso escrever agora a linha de hoje à noite.
Eu a amo a vida, e às vezes eu a amava.


Em uma tal  noite eu a segurei em meus braços.
Estou sob o céu infinito, ela beijou-me muitas vezes...
Às vezes o que eu amo, ama-me.


Eu posso escrever agora a linha de hoje à noite.
Acho que não sinto que eu a perdi.
E um poema cai na alma como o orvalho para se colocar em cima da grama.


Meu amor, onde você está não pode aguentar-me mais.
Esta noite, ela não está comigo.
É isso aí. Alguém cantando à distância. Bem à distância.


Minha alma não está feliz  em perdê-la.
Como você ir lá para olhar os meus olhos?
Minha mente, ela não está comigo, pois deve estar com ela.


É o mesmo branquejar na madeira, na mesma noite.
Ambos,  nós dois, portanto, não somos mais os mesmos.
Eu a amo de verdade, mas eu gosto de um monte de gente.


Sua voz é pesquisada no vento para tocar o meu ouvido.
A partir daí, outras semelhantes. Da mesma forma que antes de meus beijos.
Sua voz, seu corpo de luz. Seu olhar no infinito.


Na verdade, você não tem que me amar, pois talvez eu a amo.
Esquecemo-nos muito, mas  eu gosto de nos lembrar também.





Carlos Reis, 30/01/2016    Santa Cruz/RJ

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